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sábado, 17 de maio de 2014

MUSEU DO COMANDO MILITAR DO SUL

Em Porto Alegre, durante essa semana, tivemos a oportunidade de visitar novamente o Museu do Comando Militar do Sul, situado bem no centro.

É o segundo museu mais visitado do Rio Grande do Sul, e apresenta várias peças do Exército, na maior parte da Segunda Guerra, mas também mais modernos, como o blindado Leopard A1.

Seguem as fotos, primeiramente a parte da FEB:

Jaqueta M 41, equipamento individual e capacete com pintura pós guerra.


Conjunto de pertences de um tenente da FEB


Cruz de combate de reposição (anos 60), medalha de campanha e medalha de guerra.


dog tags


Diploma da cruz de combate, com a citação.


Entrada do acervo de viaturas.


Blindado M-8, do Esquadrão de Reconhecimento
 


Carro de combate A 4 Sherman, usado pelas divisões blindadas americanas na guerra, e pelo Brasil depois dela.


Viatura blindada Half Track


 Viatura blindada Scout Car


Carro de combate Stuart.

Dodge Command Car
 
 
Obuses de 105 e 155 mm
 


ADAPTAÇÃO SOB FOGO: O APRENDIZADO DA 1 DIE EM COMBATE, 1944-45

domingo, 4 de maio de 2014

8 DE MAIO - DIA DA VITÓRIA - É injusto e impatriótico deixar a FEB cair no esquecimento - General ROCHA PAIVA

Em memória daqueles que tiveram a coragem de defender a liberdade em solo estrangeiro. Daqueles que se arriscaram em prol de um mundo livre. Daqueles que lá tombaram e daqueles que lograram retornar para casa.

Não foi em vão!

Não serão esquecidos os verdadeiros heróis brasileiros!

Minha mais sincera e vibrante continência ao nossos pracinhas!!!

BRASIL! ACIMA DE TUDO!

Maj Lima Paiva

"LEMBRAI-VOS DOS PRACINHAS

General da Reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva (filho de um veterano da FEB)

Em 8 de maio, comemora-se o Dia da Vitória sobre os nazifascistas, em 1945, enquanto fevereiro, março e abril marcam as grandes vitórias da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália. O envolvimento na 2ª Guerra Mundial mostrou que o Brasil precisava se tornar uma potência, para garantir sua segurança, e que eram necessários planejamentos estratégicos de governo, então inexistentes, para vencer os obstáculos decorrentes. As Forças Armadas (FA) foram vetores desse projeto, ainda inacabado, fruto de sua participação na guerra, desde o Atlântico aos céus e montanhas italianas, e da criação da Escola Superior de Guerra, pioneiro centro de estudos estratégicos e planejamento governamental no Brasil.

As potências viam o Brasil, rico, mas subdesenvolvido, periférico e mestiço, com um misto de desprezo, benevolência, interesses e preconceito racial similar ao arianismo alemão. Esses sentimentos se estendiam às FA e a FEB teve de vencer grandes desafios desde a sua formação no Brasil até se tornar um eficaz instrumento de combate no front. Os EUA demoraram a entregar os meios para a força brasileira, pois eram necessários a seu Exército e aos de outros aliados já em operações e preparando a invasão da França, bem como pela dúvida se o Brasil iria mesmo à guerra.

O equipamento e o armamento só foram recebidos na Itália e a FEB entrou em operações com preparação incompleta, substituindo um Corpo de Exército dos EUA e o Corpo Expedicionário Francês transferidos para a França, ambos em combate havia mais de um ano.
A FEB lutou num teatro de operações (TO) montanhoso e favorável à defesa com forças reduzidas, máxime sendo tropas aguerridas, bem equipadas e experientes do Exército Alemão, reconhecido como o mais profissional do mundo. Foi empregada contra a poderosa Linha Gótica em Monte Castelo, no início do inverno, após o fracasso da ofensiva anglo-americana em romper aquela linha e alcançar o vale do rio Pó. Portanto, as condições desaconselhavam operações de vulto. A tropa americana encarregada de proteger o nosso flanco fora desalojada pelo alemão e a força atacante era inferior à exigida pelo objetivo, como ponderara o comandante da FEB. Atacar, recuar combatendo em ordem e permanecer no front sem ser substituída foi um mérito.

Apontar falhas do escalão subordinado, sendo uma força estrangeira e de país periférico foi menos comprometedor para o comando americano do que assumir a responsabilidade pelo erro de avaliação do inimigo, do valor defensivo do terreno e do poder de combate necessário para derrotá-lo. Os Exércitos Inglês e Americano, também valorosos, sofreram reveses ao empregarem forças com preparação incompleta em Dunquerque (França), na África, Filipinas e Sudeste da Ásia entre 1940 e 1943. O General Eisenhower assim comentou os insucessos americanos na Tunísia em 1943: “foi a inexperiência, particularmente dos comandantes. As divisões americanas --- não foram beneficiadas com os programas de treinamento intensivo --- permaneceram separadas de seu armamento e de grande parte de seu equipamento durante um longo período --- Os comandantes e as tropas evidenciaram os efeitos dessa anomalia --- embora não lhes faltasse a coragem e o caráter sua eficiência inicial não se compara com a demonstrada --- depois de um ano de treinamento”. O mesmo se diga da FEB na Itália, nos primeiros meses de combate.

As missões da FEB, enquadrada pelo IV Corpo de Exército (IV CEx), do V Exército dos EUA, foram cumpridas conforme as possibilidades de uma tropa a pé, conquistando objetivos importantes para o IV CEx, contra um inimigo material e moralmente apto a defender o terreno que lhe era favorável. Os quatro reveses em Monte Castelo, os dois primeiros sob comando americano, além dos erros desse comando, também se deveram à nossa inexperiência e preparação incompleta. Essas deficiências foram superadas em dezembro de 1944 e janeiro de 1945, nos confrontos entre pequenas frações no front e não em campos de instrução à retaguarda. A conquista do Monte Castelo alentou a confiança do IV CEx, consolidada com as vitórias de La Serra, Castelnuovo, Montese e Fornovo, onde a FEB aprisionou a 148ª Divisão Alemã, primeira força de tal magnitude a se render na Itália.

A FEB era apenas uma das divisões (na Europa eram 69 só dos EUA) de um dos corpos de exército, de um dos dois exércitos aliados, num TO secundário. Portanto, sua experiência é uma história de combate de pequenas frações, subunidades e unidades, como é a tônica em TO montanhosos. Sargentos, tenentes, capitães e comandantes de unidades amadureceram e venceram o maior desafio do soldado - enfrentar o fogo inimigo com equilíbrio emocional, competência e coragem. No Brasil, alguns analisam a FEB como se ela sozinha tivesse que ser decisiva na guerra e o inimigo fosse irrelevante. Ora, o seu papel foi tático, não estratégico. No Brasil, poucos estudam tática e história militar para opinar com conhecimento sobre a FEB diante de seus desafios e muitos, por servidão intelectual, não questionam opiniões emitidas nas metrópoles culturais, por vezes preconceituosas ou que transferem responsabilidades por erros cometidos por compatriotas.

Hoje, o preparo de uma força de paz de mil militares para o Haiti, onde a ameaça é de gangues armadas apenas de fuzil, leva seis meses. O Brasil de 1943 mobilizou 25 mil combatentes, em um ano, para enfrentar nada menos do que a Wehrmacht. A FEB foi a afirmação da dignidade nacional diante das afrontas nazifascistas afundando navios e matando mais de dois mil brasileiros. Nossos irmãos e irmãs Pracinhas honraram a Pátria com o risco ou o sacrifício da própria vida. Muitos não voltaram para viver as alegrias e conquistas de uma vida plena, trabalhando, constituindo família e criando filhos. Os que voltaram foram esquecidos. Infelizmente é como disse o Padre Antônio Vieira (1608-1697): se servistes à Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis, ela o que costuma."

8 DE MAIO - DIA DA VITÓRIA