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terça-feira, 22 de abril de 2014

QUE TAL ESSA MISSÃO - CONTINUAÇÃO

ATAQUES A MONTE CASTELO SOB O COMANDO BRASILEIRO
(Relato do TEN Paiva -  veterano da FEB -  1º Btl do Regimento Sampaio)

1. ATAQUE DE 29 DE NOVEMBRO DE 1944
Comandante -  Gen Zenóbio da Costa

Tropa Brasileira: 1º Btl do 1º RI; 3º Btl do 11º RI e 3º Btl do 6º RI.

Além dos apoios de Artilharia, Engenharia e Transmissões [hoje Comunicações], da própria FEB, contou esse grupamento de ataque com três pelotões de carros de combate americanos.
Observando-se as datas dos acontecimentos, da segunda quinzena de Nov 44, bem se pode avaliar o intenso trabalho da tropa brasileira, envolvida em sucessivas ações, uma após outra. Tomei parte e tive o meu batismo de fogo nesse ataque do dia 29 Nov. Marchamos praticamente a noite toda, através da lama e debaixo de chuva, chegando extenuados à base de partida [para agravar a situação, na noite do dia 28, os alemães conta-atavaram e retomaram as alturas de Belvedere, desalojando a tropa americana e ficando em condições de flanquear a força brasileira no ataque].
Desencadeado o ataque, o Batalhão Uzêda foi surpreendido por fogos ajustados de flanco, pois que, de Mazancanna [ver anexo-principalmente o SLIDE 07], elevação que dominava nossa base de partida e eixo de progressão, as metralhadoras e morteiros alemães ceifavam os nossos fuzileiros. Apesar disso, conseguimos realizar razoável progressão até o meio dia. Porém, na parte da tarde, o nosso batalhão já contava com mais de uma centena de baixas e, sob pesados bombardeios e sucessivos contra-ataques alemães, retornou às posições iniciais. Sofremos 157 baixas, das 190 do total.
Desejo relembrar um fato vivido no PC do batalhão Uzêda, nesse dia 29 Nov. Já à noite, quando os alemães lançaram o último contra-ataque, o Cmt Batalhão ordenou a defesa aproximada do seu PC por cozinheiros, mensageiros e motoristas, pelos elementos à mão que pudessem ser empregados. Lembro-me quando ele disse: “Daqui não sairemos, sem que tenhamos de lutar até o último homem”. O contra-ataque do alemão não obteve sucesso.

2. ATAQUE DE 12 DE DEZEMBRO DE 1944
Comandante Gen Zenóbio da Costa
Tropa brasileira: 2º e 3º Btl do 1º RI e 1º e 3º Btl do 11º RI.

Além dos apoios de Artilharia, Engenharia e Transmissões, da própria FEB, contou esse grupamento de ataque com uma Cia de carros de combate americana.
Um bombardeio prematuro da Artilharia americana, sobre Belvedere, quebrou a surpresa do ataque. O emprego permanente de fogos ajustados, o valor do inimigo e ainda os fogos de revés, de Mazancanna e Fornace foram quebrando o ímpeto do ataque....(a ser continuado)

Para saber mais sobre o Ten Paiva, acesse:
http://www.legiaodainfantaria.eb.mil.br/htm/historico.php

segunda-feira, 14 de abril de 2014

QUE TAL ESTA MISSÃO? HISTÓRIAS DO TENENTE PAIVA - PARTE 1

Depois de um bom tempo sem postar nada, passaremos a colocar alguns trechos de passagens vividas por um tenente de infantaria da FEB, avô de um grande amigo nosso e pai de um grande General do Exército.

Vale a pena ler e imaginar as dificuldades que nossos pracinhas passaram para defender a liberdade em terras estrangeiras.
Esses sim verdadeiros heróis brasileiros!


TENENTE PAIVA E A PREPARAÇÃO DA FEB – 1944
(Este é um extrato da palestra proferida pelo General ROCHA PAIVA)

"Vou narrar o episódio de recrutamento [e transporte] de 500 homens, da Guarnição de Salvador (BA), até sua inclusão no Depósito da FEB em Caçapava (SP).

Chegada a ordem para o envio dos 500 homens, foram expedidas as determinações sobre o número de elementos que cada OM deveria fornecer a fim de alcançar aquele total, devendo ser dada prioridade aos voluntários.

O número estipulado não foi alcançado. Resultou que esse total foi composto não só com os melhores soldados como, também, com os da pior escória - elementos que procuravam cometer insubordinação para ficar sub judice e, assim, fugir à guerra. Por outro lado, tivemos recrutamento de elementos sem as necessárias condições de higidez, que procuravam esconder problemas de saúde, visando patrioticamente seguir com a FEB.

O contingente de 500 homens foi embarcado num Ita juntamente com 500 esteiras, que se destinavam a sua dormida, podendo estendê-las no navio desde os porões até à cobertura. Quatro tenentes [a comando do Tenente Paiva], sendo dois da reserva, eram encarregados, junto com 14 graduados, de conduzir esse contingente a Caçapava.

No primeiro dia, enquanto o navio estava no porto, já tínhamos a bordo sérios problemas disciplinares, fruto do jogo e de bebida que, apesar da revista realizada, ainda assim, conseguiram introduzir a bordo. Organizada uma fração de PE, numa ação de surpresa, se coletou uma grande quantidade de facas e baralhos, que foram jogados no mar.

Tão logo o navio saiu do porto, as praças enjoaram e para se ter uma ideia, dos 500 homens, apenas 100 compareceram ao rancho. Os senhores imaginem aqueles homens amontoados no chão do navio, no escuro e vomitando! Era uma segunda edição do “Navio Negreiro”.

À medida em que se passavam os dias, começou a causar receio o estado físico de um grupo de praças que passava tão mal e estava tão enfraquecido, por não conseguir se alimentar, que o próprio médico de bordo começou a se preocupar seriamente.

Numa tentativa de recuperá-los, foram colocados na parte mais alta do Ita, com a marmita de comida ao lado e com sentinela, para que não descessem de onde estavam. Os sambistas foram mandados fazer suas batucadas nessa parte do navio. O resultado foi surpreendente. Em pouco tempo haviam melhorado um pouco e começaram a se alimentar, resolvendo-se assim um sério problema. Vejam os senhores que o samba tem também propriedades terapêuticas.

Chegados ao Rio, se alojaram no 2º RI e, no dia seguinte, embarcaram em um trem em Deodoro, para seguir destino. Já sabíamos que outros transportes semelhantes tinham causado problemas de assaltos e quebra-quebra de bares e de casas de negócio, nas estações e locais onde paravam as composições, tendo resultado em processos, perante a justiça, aos infortunados comandantes desses contingentes.

Demos ordens ao maquinista para que só parasse a composição longe das estações e pusemos um graduado armado em cada porta de vagão, a fim de impedir o desembarque de qualquer elemento. Desse modo, foram entregues sem alteração, se assim podemos dizer, esses 500 homens, após muito trabalho, ao Depósito da FEB em Caçapava (SP), de onde partiram para integrar as unidades da 1ª DIE.

Diga-se, de passagem, que nenhuma alimentação foi fornecida após o café das 04 horas da madrugada até às 1900h. Penso que não fizeram a previsão de que, por ser essa composição “extraordinária”, a todo momento entraria em desvios para esperar a passagem dos trens de carreira.
Os senhores bem podem imaginar o que foi conter esses elementos com fome, durante o dia inteiro dentro do trem.

(O Tenente Paiva servia no 19º BC em Salvador mas, voluntário para FEB, de Caçapava seguiu para o Rio, a fim de se apresentar no 1º RI - REGIMENTO SAMPAIO  e iniciar o adestramento).

Enviado pelo nosso amigo Rodrigo LP, devidamente autorizado pelo seu pai, Gen Rocha Paiva.