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sábado, 1 de novembro de 2014

Livro conta a história de Francis Hallawell, o ‘Chico da BBC’, único radialista do país no front da FEB







RIO - Em 1941, Francis Hallawell era um jovem brasileiro de 29 anos quando se apresentou na embaixada britânica, no Rio de Janeiro, como voluntário para integrar a infantaria do país na Segunda Guerra. De família inglesa, ele não conseguiu realizar o sonho, mas foi parar na frente de batalha como enviado do Serviço Brasileiro da rádio BBC e tornou-se o único correspondente do rádio nacional no conflito, graças à fluência em português e inglês.

A história de Hallawell foi recuperada pela jornalista e professora da PUC-Rio Rose Esquenazi em sua dissertação de mestrado, transformada no livro “O rádio na Segunda Guerra: no ar, Francis Hallawell, o Chico da BBC”. O interesse de Rose pelo personagem surgiu durante as aulas da disciplina que ministrou durante 15 anos sobre a história do rádio e da TV no Brasil. O locutor sempre aparecia nas gravações da época.

— Ficava intrigada como ele conseguia gravar e transmitir os programas da frente de batalha com todas as dificuldades tecnológicas existentes na época — conta Rose, que durante a pesquisa encontrou a viúva de Hallawell vivendo na região serrana do Rio. — Os dois se conheceram na própria BBC. Ela é belga, foi para a Inglaterra fugindo da ocupação nazista e conseguiu um trabalho na rádio por falar três línguas.

Entre 1941 e 1944, até seguir para a Itália, o locutor gravou vários programas que eram irradiados em ondas curtas para o Brasil num serviço diário durante três horas e 45 minutos. Suas atividades variavam de boletins de notícias a programas infantojuvenis, sendo o mais conhecido “As aventuras de Fred Perkins”. Hallawell já convivia com jornalistas brasileiros na BBC em Londres, como Antônio Callado, e na Itália ficou amigo de Joel Silveira e Rubem Braga (deles ganhou o apelido “Chico da BBC”). Boa praça, ganhou a confiança dos militares, especialmente da Aeronáutica brasileira. O locutor não era um jornalista de carreira e por diversas vezes gravou crônicas escritas pelos colegas brasileiros.

O noticiário da guerra sofria diferentes tipos de censura, explica a professora: a censura própria do conflito, já que não se pode revelar a posição exata das tropas; a censura imposta pelos exércitos brasileiro e americano; e a censura do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) de Vargas. Assim, as reportagens irradiadas abordavam principalmente o cotidiano da tropa. Após a conquista do Monte Castelo, Hallawell montou um concurso e gravou canções feitas pelos soldados. Segundo Rose, que teve acesso aos áudios, as composições eram sofríveis. O caminho das gravações até o Brasil também era árduo.

— Ele gravava as reportagens em discos de vidro, que eram despachados para cidades italianas. De lá, eram transmitidos, por telefone, para a BBC em Londres, que as registravam em discos de acetato e transmitiam para o Brasil — diz a professora. — Infelizmente, não há muito material no arquivo da BBC por causa dos bombardeios sofridos durante a guerra.
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Antes mesmo do início do conflito, uma verdadeira guerra já ocorria pelos ares brasileiros. Desde 1936, a Rádio Berlim mantinha transmissões em português para o Brasil, com extensa programação que incluía séries, músicas, notícias e radioteatro. A Itália, de olho nos imigrantes, também irradiava para o país mensagens em defesa do fascismo. A BBC só começou a transmitir em português em 1938 e o serviço brasileiro foi criado em 1941. A “guerra” pelo ar teve forte impacto no rádio nacional.

— Quando o Brasil se alinha aos Estados Unidos, em 1942, começam a chegar anunciantes e modelos de programas de lá, como a radionovela e o “Repórter Esso”, o mais famoso. Era parte do esforço para difundir o “american way of life” e enfrentar a influência alemã, que até então era bastante significativa.

Apesar do sucesso como correspondente de guerra, Francis Hallawell não seguiu na profissão após o fim da Segunda Guerra. Voltou para o Brasil e se tornou empresário bem-sucedido. Para Rose, ele não era um jornalista nato. O que não o impediu de escrever seu nome na História.




Enviado por nosso amigo Cesar Cerqueira.

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