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domingo, 9 de novembro de 2014

A GUERRA PSICOLÓGICA DA FEB POR MEIO DE PROPAGANDA ALEMÃ


A Guerra psicológica pode ser definida, atualmente, assim: "Condução e execução de procedimentos técnicos especializados, operacionalizados de forma sistemática, para a conquista de objetivos políticos, econômicos, psicossociais e ou militares, desenvolvidos antes, durante e após o emprego da força, visando à motivar públicos-alvos amigos, neutros e hostis a atingir comportamentos desejáveis" (Exército Brasileiro).

A Guerra psicológica não teve caráter inédito, quando usada por alemães, seja contra os nossos pracinhas, seja contra qualquer aliado. De fato, apesar de não sistematizado, esse tipo de guerra foi amplamente utilizado por Gengis Kahn, nos idos do século XIII.

 Gengis Kahn, Imperador dos Mongois. Fonte: Wikimedia Commons.

Ou seja, os alemães utilizaram a mesma tática inventada cerca de 600 anos depois de Kahn, em uma guerra total, que consumia a vida de milhões de pessoas, e na qual extrapolara os exércitos e chegara ao mundo civil. O uso desse tipo de tática é perfeitamente exequível, procurando minar a resistência adversária, quebrando sua moral e, desta forma, economizando forças no combate, uma vez que a força oponente ficará com efetivos cada vez menores, a medida que for dando certo a guerra psicológica.

Os alemães não foram os únicos a utilizar deste método, durante a guerra. Como exemplo, temos diversos panfletos feitos pelos japoneses e endereçados aos americanos que lutavam no Pacífico.









Fonte: Wehrmacht Awards Forum.

A FEB também utilizou a guerra psicológica, à medida que lançava granadas de artilharia em cima das posições alemãs, contendo panfletos de salvo-conduto escritos em alemão, incitando-os à rendição. Até hoje, esse tipo de guerra continua sendo utilizada. De fato, não precisamos nem ver uma guerra, basta analisar a propaganda política realizada nas nossas últimas eleições. O uso desse método não é uma questão de "aloprar", não é o derradeiro método de quem está desesperado pela vitória, mas trata-se apenas de mais um elemento para se chegar a vitória.

A seguir, trechos sobre este assunto, que saiu no Globo do dia 8 próximo passado.

"RIO - Fazia 23 graus Celsius quando o soldado D'Álvaro José de Oliveira, de 22 anos, deixou o Cais do Porto do Rio com destino à Nápoles. Foi recebido com a temperatura de 18 graus abaixo de zero. O frio de setembro de 1944 obrigou a tropa da Força Expedicionária Brasileira a dormir em barracas cobertas de feno. A neve, que chegou a 1 metro de altura, era coberta por panfletos jogados pela artilharia alemã, exigindo a rendição dos 25.334 militares que se juntaram aos Aliados contra o Reich. O inverno e a guerra psicológica eram tão devastadores quanto os combates no front.

O Serviço de Propaganda alemão não economizou nas expressões de efeito. Os cartazes, todos em português, anunciavam “o inferno de sangue” italiano. Para retirar os brasileiros do campo de batalha, distorceram a História, debocharam do pagamento dos pracinhas, alertaram contra o inverno hostil e apelaram para a saudade dos trópicos. As mensagens foram reproduzidas no livro “Heróis do Brasil”, dos autores italianos Giovanni Sulla e Ezio Trota, publicado pela editora II Fiorino-Modena. A obra foi traduzida para o português a pedido da empresa Cristaini/Ghibli e o Exército vai doar os 5 mil exemplares impressos para escolas públicas.

OS INIMIGOS SÃO ‘OS AMERICANOS’
Em um dos cartazes, os soldados alemães chamavam os brasileiros de “camaradas”. E ainda indicavam quem seria o verdadeiro inimigo brasileiro: “No final das contas para que e para quem é que vocês combatem aqui na Itália? Afinal é só porque os americanos — que não são estimados por ninguém neste mundo — procuram convencer-vos de que se trata de defender os interesses do Brasil”.

O Reich também questionou o soldo dos pracinhas: “Isso vale os 95 dólares que recebeis mensalmente? O corpo esburacado por balas ou uma sepultura na Itália deveriam ser melhor (sic) pagos. Sim, porque não é outra coisa que vos espera”.
Um motivo para a rendição era ricamente descrito pelas tropas do Eixo: a possibilidade de fugir do frio, da neblina e da lama, do “inverno horrível, com as suas tempestades de neve e as intermináveis avalanches”.

— O maior inimigo que encontramos foi o inverno — confirma D'Álvaro, que deixou o Exército em 1950, já como tenente. — Fomos para a Itália com o zé carioca, como era chamado o uniforme da época, que não resistia a um frio tão intenso. O capacete era de pano. Logo que chegamos, fomos para um centro de concentração das tropas, onde usamos feno para nos esquentarmos. Depois os americanos deram três mantas para cada um de nós, além de fardas adequadas.
O Exército registrou casos da chamada “neurose da neve”, especialmente nos soldados em posições avançadas e isoladas. Uma carta de 14 de março de 1945 escrita por um militar brasileiro a sua mulher era um exemplo do desânimo que o frio provocava na tropa: “O dia não amanheceu e a escuridão domina este ambiente sombrio e triste, como são todos os lugares que a guerra alcançou com todas as suas calamidades”.

A saudade da terra natal explica porque outro panfleto chamou tanta atenção: “Você quer saber o que acontece no Brasil? Você quer escutar música brasileira, canções de sua terra (...)? Ligue o seu rádio para ouvir (...) a Rádio Auriverde”. O programa era transmitido pela catarinense Margarida Hirschmann. Entre uma canção e outra, ela incentivava os compatriotas a desistirem da guerra.

Margarida não estava só. O paulista Emílio Baldini transmitia notícias falsas na Rádio Milão para estimular a deserção.
— Ela dizia que, se nos entregássemos, teríamos boa comida — lembra D'Álvaro. — Ele falava que os brasileiros estavam passando fome e que, quando acabasse a guerra, provavelmente não voltaríamos para o Brasil. Podíamos ouvir os programas, mas os oficiais alertavam que era tudo mentira.

Os radialistas foram presos no fim da guerra, acusados de desmoralizar o governo. Em 1946, o Superior Tribunal Militar condenou a dupla a 20 anos de prisão. Ela recebeu a anistia três anos depois. Emílio conseguiu fugir e nunca foi preso.

Mas o Reich também sabia fingir compaixão. Em algumas mensagens enviadas ao front brasileiro, a Alemanha garantiu que os presos de guerra receberiam um “tratamento correto”. Um panfleto foi feito na medida para os desertores. O texto, escrito em português e alemão, assegurava: “O portador deste salvo-conduto cessou a (sic) luta e deve ser afastado o mais rapidamente possível da zona de perigo”.

— Teve muito picareta, especialmente na infantaria, que lia os panfletos e se rendia à guerra psicológica — lembra D'Álvaro, agora um tenente de 94 anos. — Depois disso, eram fuzilados na mesma hora, ou então levados para um campo de concentração.


IMPRENSA AUMENTOU MORAL NO FRONT
Além de provocar os inimigos, as tropas brasileiras criaram publicações para encorajar a luta e descontrair nos momentos de tédio. Jornalecos como “Zé Carioca” e “E a cobra fumou”, ambos da infantaria, traziam notícias e histórias em quadrinhos. Os mais populares, no entanto, eram “O Cruzeiro do Sul”, o veículo oficial do Comando da FEB, e o tabloide semanal “O GLOBO Expedicionário”.


Diretor do Monumento Nacional dos Mortos da Segunda Guerra Mundial, o coronel Alberto do Rego Barros explica que a criação de uma imprensa motivadora era uma prática recorrente:
— Em meio ao frio e ao combate, é fundamental criar um instrumento que levante o moral da tropa, sempre sublinhando as notícias positivas. Talvez em alguns momentos elas fossem até exageradas.
O lançamento da edição brasileira de “Heróis do Brasil” ocorre durante a primeira revitalização do monumento, inaugurado em 1960. Os restos mortais dos 467 militares da FEB chegaram ao país depois de uma viagem tumultuada. O avião em que as urnas eram transportadas pegou fogo em um pouso técnico em Portugal, logo depois de deixar a Itália. Há quem diga que as caixas, resgatadas às pressas, “foram todas reviradas” e não teriam apenas vestígios dos soldados. A guerra travada em um inverno insuportável terminou em chamas."

Fonte: http://oglobo.globo.com/sociedade/historia/panfletos-alemaes-escritos-em-portugues-exigiam-rendicao-brasileira-na-segunda-guerra-14505168

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