COMPRO MATERIAL DA FEB: JULIOZARY1997@GMAIL.COM

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014


1º SARGENTO DURVAL DE ARAÚJO MELO - UM ALAGOANO NA FEB



Neste dia de Natal, gostaríamos de homenagear um filho do Nordeste, o Sgt Durval de Araújo Melo. O referido febiano nasceu em Atalaia (Alagoas), no ano de 1912, dois anos antes de eclodir a Primeira Guerra Mundial, a Grande Guerra pela Civilização.

Era militar de carreira, tendo participado de diversos fatos históricos do Brasil, tais como: a revolução de 1930, a revolta paulista de 1932 e, em 1935, seguiu de Maceió para Recife de , que é um do trem, para combater o movimento comunista de 1935, que é um dos episódios mais sórdidos da história do Exército, pois alguns militares foram traídos pela tentativa de golpe comunista.

                                                               A Revolução de 1930.



                                                            A Revolução de 1932 - SP

                                                        A Intentona Comunista de 1935
 
Ainda no ano de 1935, casou-se com a Sra Eneida de Melo Barbosa, com quem teve 6 filhos: Dário, Lúcia, Durval Filho, Márcia, José Eymar e Cristina.

Quando o Brasil finalmente enviou tropas para a 2º Guerra Mundial, o Sgt Durval embarcou com o 11º Regimento de Infantaria, de São João Del Rey (Regimento Tiradentes), em direção a Napoles, na Itália. Este fato ocorreu no dia 22 de setembro de 1944.

Ao chegar na Itália, o Sgt Durval, juntamente com seus companheiros de farda, enfrentou as agruras do rigoroso inverno, tendo experimentado temperaturas que beiravam os 20 graus negativos. Ao participar da Ofensiva da Primavera e da Operação Encore, o Sgt Durval tomou parte de duas das maiores batalhas da FEB: a tomada de Monte Castelo e de Montese, combatendo com bravura, sendo condecorado por isso com a Cruz de Combate.

Esta é a história de um militar brasileiro, patriota, que amava o seu país e lutou em defesa de um mundo livre e melhor. O seu nome pode ser encontrado no site "OS HEROIS DO 11º RI".  (1º Sargento Durval de Araújo Melo - 9ª Compainha, CCI).

As fotos a seguir foram tiradas em um dia de licença (1945), na Via Nazzionale, em Roma, uma das mais movimentadas na época. Em duas delas, o Sgt Durval (o de bigode) está junto com seu companheiro o 2° Sargento Alcir Bezerra Gurgel. Na foto da barraca, Durval, ao centro, está com 2 companheiros, Bemvindo Belém de Lima e outro cujo nome consta na foto. 

 Foto 1: Raro momento de folga, no qual os veteranos liam as cartas e contavam histórias e estórias do lar. Reparem que, mesmo na folga, as plaquetas de identificação (dog tags) eram inseparáveis.
 

 Foto 2: Mais um momento de folga, num restaurante em Roma, comendo macarrão e bebendo um bom vinho. Sgt Durval usando casacão de lã com as divisas de Sgt e a cobrinha. O outro militar está usando uma jaqueta de campanha modelo M 41.


Foto 3: Nas ruas de Roma


Foto 4: Contemplando a beleza de Roma.


Carteira de identidade do Sgt Durval, de 1944. O Sgt Durval retornou ao Brasil em 17 de setembro de 1945.


Gostaríamos de agradecer à Sra Maria Cristina de Melo Souto, de Garanhuns  - PE, e à toda a sua família, por ter disponibilizado as informações aqui contidas.

Feliz Natal aos leitores deste espaço.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Comemoração do 70º aniversário da condecoração da bandeira da FEB em Portugal

Comissão de Honra

Professor Doutor Adriano Moreira - Portugal

Professor Doutor  Ives Gandra Martins - Brasil

Comissão Consultiva

Almirante Alexandre Fonseca – Confraria Marítima - Portugal

Armando Marques Guedes – Representante do CEPEN em Portugal

Rui   Coelho – InvestLisboa - Portugal

Comissão Organizadora

ADESG Europa – Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra na Europa

(...)

Comissão Executiva

Museu Militar do Porto

Maj. General João Vieira Borges – Academia Militar - Portugal

Coronel Claudio Tavares Casali - Brasil

Ana Isabel Xavier – Presidente da Comissão Executiva da AACDN - Portugal

Dr. Paulo Celso Pompeu – ex.soldado do CMSE - Advogado e Patriota Atuante - Brasil

Adv. Américo Paula Chaves – Presidente do Centro de Estratégias e Políticas Nacionais - Brasil

Programa em elaboração:

Dia 26 de Fevereiro de 2015 

– apresentação de uma revista com compilação de artigos, fotografias e páginas de jornal nacionais referentes ás cerimônias da condecoração da bandeira da FEB em 3 de Setembro de 1945 em Lisboa.

Dia 8 de Maio de 2015 

– Evocação do final da Grande Guerra e apresentação da medalha comemorativa da Comemoração do 70º  aniversário da condecoração da bandeira da FEB em  Lisboa

Em Maio de 2015 

No âmbito da comemoração está a ser planeada a realização de uma semana do Brasil com os seguintes vertentes:

“Semana do Brasil em Portugal” nas vertentes:

a) Educacional – temática “Educar na Cidadania” e “Educar para uma Cultura de Defesa na CPLP”;

b) Económica – Temática “Brasil a entrada na América do Sul” e “Portugal- Brasil, uma Parceria Tecnológica”;

c) Lazer – “mostra de gastronomia, cultura, desporto e lazer do Brasil”.

Dia 3 de Setembro de 2015 

– Inauguração de painel de rua em Lisboa pintado por jovens e alusivo á presença e desfile da FAB em Lisboa

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

ENCONTRO NACIONAL VETERANOS DA FEB - MUSEU CONDE DE LINHARES

Semana retrasada encerrou mais um Encontro Nacional dos Veteranos da FEB. Evento com diversas atividades culturais e de confraternização, entre os veteranos, familiares, militares da ativa e até mesmo escolas.

Contou com a participação de cerca de 20 veteranos, mais com mais de 50 familiares, mesmo de veteranos que já faleceram, como o Frei Orlando.

Seguem algumas imagens do evento, realizado no Museu Militar Conde de Linhares.

1- Vista parcial da assistência à formatura.


2-Presença dos familiares


3- Sala especialmente montada para o acervo da Maj Elza











4- O museu possui, ainda, diversos armamentos e equipamentos utilizados desde a Batalha de Guararapes, passando por material inimigo capturado e armas de grande calibre.





5- Uma foto com todos os veteranos, além das viaturas e material de artilharia, que ficam na parte externa do museu.






Definitivamente, este museu vale uma visita.

PALESTRA DO GENERAL ROCHA PAIVA SOBRE A FEB

Na terça-feira próxima passada o General Rocha Paiva, antigo Comandante da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, proferiu uma brilhante palestra acerca da Força Expedicionária Brasileira. Além de ser filho de veterano, mostrou ter conhecimento elevado acerca do tema, abrilhantando o projeto da implantação do Museu da FEB em Brasília. O evento foi realizado na UnB, em Brasília - DF.

Seguem alguns flagrantes do evento.

De terno preto, o Gen Rocha Paiva e, falando ao micro-fone, Prof Silmara, coordenadora do projeto.


O evento contou com a participação de 3 veteranos, além de familiares dos mesmos. Interessante notar a lucidez dos mesmos, os quais comentaram sobre a atual situação que vivemos no Brasil.

sábado, 6 de dezembro de 2014

domingo, 23 de novembro de 2014

domingo, 9 de novembro de 2014

A GUERRA PSICOLÓGICA DA FEB POR MEIO DE PROPAGANDA ALEMÃ


A Guerra psicológica pode ser definida, atualmente, assim: "Condução e execução de procedimentos técnicos especializados, operacionalizados de forma sistemática, para a conquista de objetivos políticos, econômicos, psicossociais e ou militares, desenvolvidos antes, durante e após o emprego da força, visando à motivar públicos-alvos amigos, neutros e hostis a atingir comportamentos desejáveis" (Exército Brasileiro).

A Guerra psicológica não teve caráter inédito, quando usada por alemães, seja contra os nossos pracinhas, seja contra qualquer aliado. De fato, apesar de não sistematizado, esse tipo de guerra foi amplamente utilizado por Gengis Kahn, nos idos do século XIII.

 Gengis Kahn, Imperador dos Mongois. Fonte: Wikimedia Commons.

Ou seja, os alemães utilizaram a mesma tática inventada cerca de 600 anos depois de Kahn, em uma guerra total, que consumia a vida de milhões de pessoas, e na qual extrapolara os exércitos e chegara ao mundo civil. O uso desse tipo de tática é perfeitamente exequível, procurando minar a resistência adversária, quebrando sua moral e, desta forma, economizando forças no combate, uma vez que a força oponente ficará com efetivos cada vez menores, a medida que for dando certo a guerra psicológica.

Os alemães não foram os únicos a utilizar deste método, durante a guerra. Como exemplo, temos diversos panfletos feitos pelos japoneses e endereçados aos americanos que lutavam no Pacífico.









Fonte: Wehrmacht Awards Forum.

A FEB também utilizou a guerra psicológica, à medida que lançava granadas de artilharia em cima das posições alemãs, contendo panfletos de salvo-conduto escritos em alemão, incitando-os à rendição. Até hoje, esse tipo de guerra continua sendo utilizada. De fato, não precisamos nem ver uma guerra, basta analisar a propaganda política realizada nas nossas últimas eleições. O uso desse método não é uma questão de "aloprar", não é o derradeiro método de quem está desesperado pela vitória, mas trata-se apenas de mais um elemento para se chegar a vitória.

A seguir, trechos sobre este assunto, que saiu no Globo do dia 8 próximo passado.

"RIO - Fazia 23 graus Celsius quando o soldado D'Álvaro José de Oliveira, de 22 anos, deixou o Cais do Porto do Rio com destino à Nápoles. Foi recebido com a temperatura de 18 graus abaixo de zero. O frio de setembro de 1944 obrigou a tropa da Força Expedicionária Brasileira a dormir em barracas cobertas de feno. A neve, que chegou a 1 metro de altura, era coberta por panfletos jogados pela artilharia alemã, exigindo a rendição dos 25.334 militares que se juntaram aos Aliados contra o Reich. O inverno e a guerra psicológica eram tão devastadores quanto os combates no front.

O Serviço de Propaganda alemão não economizou nas expressões de efeito. Os cartazes, todos em português, anunciavam “o inferno de sangue” italiano. Para retirar os brasileiros do campo de batalha, distorceram a História, debocharam do pagamento dos pracinhas, alertaram contra o inverno hostil e apelaram para a saudade dos trópicos. As mensagens foram reproduzidas no livro “Heróis do Brasil”, dos autores italianos Giovanni Sulla e Ezio Trota, publicado pela editora II Fiorino-Modena. A obra foi traduzida para o português a pedido da empresa Cristaini/Ghibli e o Exército vai doar os 5 mil exemplares impressos para escolas públicas.

OS INIMIGOS SÃO ‘OS AMERICANOS’
Em um dos cartazes, os soldados alemães chamavam os brasileiros de “camaradas”. E ainda indicavam quem seria o verdadeiro inimigo brasileiro: “No final das contas para que e para quem é que vocês combatem aqui na Itália? Afinal é só porque os americanos — que não são estimados por ninguém neste mundo — procuram convencer-vos de que se trata de defender os interesses do Brasil”.

O Reich também questionou o soldo dos pracinhas: “Isso vale os 95 dólares que recebeis mensalmente? O corpo esburacado por balas ou uma sepultura na Itália deveriam ser melhor (sic) pagos. Sim, porque não é outra coisa que vos espera”.
Um motivo para a rendição era ricamente descrito pelas tropas do Eixo: a possibilidade de fugir do frio, da neblina e da lama, do “inverno horrível, com as suas tempestades de neve e as intermináveis avalanches”.

— O maior inimigo que encontramos foi o inverno — confirma D'Álvaro, que deixou o Exército em 1950, já como tenente. — Fomos para a Itália com o zé carioca, como era chamado o uniforme da época, que não resistia a um frio tão intenso. O capacete era de pano. Logo que chegamos, fomos para um centro de concentração das tropas, onde usamos feno para nos esquentarmos. Depois os americanos deram três mantas para cada um de nós, além de fardas adequadas.
O Exército registrou casos da chamada “neurose da neve”, especialmente nos soldados em posições avançadas e isoladas. Uma carta de 14 de março de 1945 escrita por um militar brasileiro a sua mulher era um exemplo do desânimo que o frio provocava na tropa: “O dia não amanheceu e a escuridão domina este ambiente sombrio e triste, como são todos os lugares que a guerra alcançou com todas as suas calamidades”.

A saudade da terra natal explica porque outro panfleto chamou tanta atenção: “Você quer saber o que acontece no Brasil? Você quer escutar música brasileira, canções de sua terra (...)? Ligue o seu rádio para ouvir (...) a Rádio Auriverde”. O programa era transmitido pela catarinense Margarida Hirschmann. Entre uma canção e outra, ela incentivava os compatriotas a desistirem da guerra.

Margarida não estava só. O paulista Emílio Baldini transmitia notícias falsas na Rádio Milão para estimular a deserção.
— Ela dizia que, se nos entregássemos, teríamos boa comida — lembra D'Álvaro. — Ele falava que os brasileiros estavam passando fome e que, quando acabasse a guerra, provavelmente não voltaríamos para o Brasil. Podíamos ouvir os programas, mas os oficiais alertavam que era tudo mentira.

Os radialistas foram presos no fim da guerra, acusados de desmoralizar o governo. Em 1946, o Superior Tribunal Militar condenou a dupla a 20 anos de prisão. Ela recebeu a anistia três anos depois. Emílio conseguiu fugir e nunca foi preso.

Mas o Reich também sabia fingir compaixão. Em algumas mensagens enviadas ao front brasileiro, a Alemanha garantiu que os presos de guerra receberiam um “tratamento correto”. Um panfleto foi feito na medida para os desertores. O texto, escrito em português e alemão, assegurava: “O portador deste salvo-conduto cessou a (sic) luta e deve ser afastado o mais rapidamente possível da zona de perigo”.

— Teve muito picareta, especialmente na infantaria, que lia os panfletos e se rendia à guerra psicológica — lembra D'Álvaro, agora um tenente de 94 anos. — Depois disso, eram fuzilados na mesma hora, ou então levados para um campo de concentração.


IMPRENSA AUMENTOU MORAL NO FRONT
Além de provocar os inimigos, as tropas brasileiras criaram publicações para encorajar a luta e descontrair nos momentos de tédio. Jornalecos como “Zé Carioca” e “E a cobra fumou”, ambos da infantaria, traziam notícias e histórias em quadrinhos. Os mais populares, no entanto, eram “O Cruzeiro do Sul”, o veículo oficial do Comando da FEB, e o tabloide semanal “O GLOBO Expedicionário”.


Diretor do Monumento Nacional dos Mortos da Segunda Guerra Mundial, o coronel Alberto do Rego Barros explica que a criação de uma imprensa motivadora era uma prática recorrente:
— Em meio ao frio e ao combate, é fundamental criar um instrumento que levante o moral da tropa, sempre sublinhando as notícias positivas. Talvez em alguns momentos elas fossem até exageradas.
O lançamento da edição brasileira de “Heróis do Brasil” ocorre durante a primeira revitalização do monumento, inaugurado em 1960. Os restos mortais dos 467 militares da FEB chegaram ao país depois de uma viagem tumultuada. O avião em que as urnas eram transportadas pegou fogo em um pouso técnico em Portugal, logo depois de deixar a Itália. Há quem diga que as caixas, resgatadas às pressas, “foram todas reviradas” e não teriam apenas vestígios dos soldados. A guerra travada em um inverno insuportável terminou em chamas."

Fonte: http://oglobo.globo.com/sociedade/historia/panfletos-alemaes-escritos-em-portugues-exigiam-rendicao-brasileira-na-segunda-guerra-14505168

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

ADESG EUROPA COMEMORA OS 70 ANOS DA FEB

Com a preciosa e única colaboração do Adido de Exército e Aeronáutica em Lisboa, Coronel Cláudio Casali, a ADESG Europa, no dia 31 de Outubro deu início ás várias iniciativas previstas para 2015 nas comemorações da passagem por Lisboa da FEB (de retorno de Itália ao Brasil).

O presidente da República Portuguesa atribuiu á Bandeira da FEB a “Medalha  de Valor Militar - Ouro”, a mais alta condecoração militar portuguesa. O Presidente e o governo português invocaram e reconheceram deste modo os atos  de abnegação heróica nos combates travados pela FEB em Itália.

Quem se quiser associar a estas comemorações pode – se inscrever através do email: 70anosfeb@gmail.com e será colocado ao corrente de todos os eventos neste tópico.

Obrigado e, por favor, divulgue!

Fonte: http://adesg-europa.blogspot.pt/2014/11/comemoracoes-na-europa-dos-70-anos-da.html

Enviado por: Artur Victoria.


sábado, 1 de novembro de 2014

Livro conta a história de Francis Hallawell, o ‘Chico da BBC’, único radialista do país no front da FEB







RIO - Em 1941, Francis Hallawell era um jovem brasileiro de 29 anos quando se apresentou na embaixada britânica, no Rio de Janeiro, como voluntário para integrar a infantaria do país na Segunda Guerra. De família inglesa, ele não conseguiu realizar o sonho, mas foi parar na frente de batalha como enviado do Serviço Brasileiro da rádio BBC e tornou-se o único correspondente do rádio nacional no conflito, graças à fluência em português e inglês.

A história de Hallawell foi recuperada pela jornalista e professora da PUC-Rio Rose Esquenazi em sua dissertação de mestrado, transformada no livro “O rádio na Segunda Guerra: no ar, Francis Hallawell, o Chico da BBC”. O interesse de Rose pelo personagem surgiu durante as aulas da disciplina que ministrou durante 15 anos sobre a história do rádio e da TV no Brasil. O locutor sempre aparecia nas gravações da época.

— Ficava intrigada como ele conseguia gravar e transmitir os programas da frente de batalha com todas as dificuldades tecnológicas existentes na época — conta Rose, que durante a pesquisa encontrou a viúva de Hallawell vivendo na região serrana do Rio. — Os dois se conheceram na própria BBC. Ela é belga, foi para a Inglaterra fugindo da ocupação nazista e conseguiu um trabalho na rádio por falar três línguas.

Entre 1941 e 1944, até seguir para a Itália, o locutor gravou vários programas que eram irradiados em ondas curtas para o Brasil num serviço diário durante três horas e 45 minutos. Suas atividades variavam de boletins de notícias a programas infantojuvenis, sendo o mais conhecido “As aventuras de Fred Perkins”. Hallawell já convivia com jornalistas brasileiros na BBC em Londres, como Antônio Callado, e na Itália ficou amigo de Joel Silveira e Rubem Braga (deles ganhou o apelido “Chico da BBC”). Boa praça, ganhou a confiança dos militares, especialmente da Aeronáutica brasileira. O locutor não era um jornalista de carreira e por diversas vezes gravou crônicas escritas pelos colegas brasileiros.

O noticiário da guerra sofria diferentes tipos de censura, explica a professora: a censura própria do conflito, já que não se pode revelar a posição exata das tropas; a censura imposta pelos exércitos brasileiro e americano; e a censura do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) de Vargas. Assim, as reportagens irradiadas abordavam principalmente o cotidiano da tropa. Após a conquista do Monte Castelo, Hallawell montou um concurso e gravou canções feitas pelos soldados. Segundo Rose, que teve acesso aos áudios, as composições eram sofríveis. O caminho das gravações até o Brasil também era árduo.

— Ele gravava as reportagens em discos de vidro, que eram despachados para cidades italianas. De lá, eram transmitidos, por telefone, para a BBC em Londres, que as registravam em discos de acetato e transmitiam para o Brasil — diz a professora. — Infelizmente, não há muito material no arquivo da BBC por causa dos bombardeios sofridos durante a guerra.
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Antes mesmo do início do conflito, uma verdadeira guerra já ocorria pelos ares brasileiros. Desde 1936, a Rádio Berlim mantinha transmissões em português para o Brasil, com extensa programação que incluía séries, músicas, notícias e radioteatro. A Itália, de olho nos imigrantes, também irradiava para o país mensagens em defesa do fascismo. A BBC só começou a transmitir em português em 1938 e o serviço brasileiro foi criado em 1941. A “guerra” pelo ar teve forte impacto no rádio nacional.

— Quando o Brasil se alinha aos Estados Unidos, em 1942, começam a chegar anunciantes e modelos de programas de lá, como a radionovela e o “Repórter Esso”, o mais famoso. Era parte do esforço para difundir o “american way of life” e enfrentar a influência alemã, que até então era bastante significativa.

Apesar do sucesso como correspondente de guerra, Francis Hallawell não seguiu na profissão após o fim da Segunda Guerra. Voltou para o Brasil e se tornou empresário bem-sucedido. Para Rose, ele não era um jornalista nato. O que não o impediu de escrever seu nome na História.




Enviado por nosso amigo Cesar Cerqueira.