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domingo, 7 de abril de 2013

O PRACINHA - PELO GEN OTÁVIO COSTA

" Vió marchar, na madrugada e na lama, para o combate. Conheci-o no heroísmo e no pânico, na euforia e no desalento - toquei-lhe a dimensão inteira do coração.

Vi-o fazer dos italianos, que viviam na terra de ninguém, gente como sua gente, sangue do seu sangue. Escutei-lhe tantas vezes, no silêncio das noites da frente de combate, suplicar, em lamento fundo: vem rolando, Brasil.

Vi-o enfrentar a lama, o frio e a neve. Vi-o dar de presente o coturno ao italiano desprovido de ficar só com a galocha, forrada de palha e papel.

Vi-o nos ataques fracassados a Monte Castello, ansioso por voltar a atacar.

Vi-o ensinar os alpinistas da 10 Divisão de Montanha a fazer patrulha.

Vi-o morrer tentando buscar o corpo do companheiro.

Vi-o, como tigre, arremeter contra Castelnuovo e Mmontese, para, depois, conduzir os prisioneiros como crianças amigas, a quem tudo se dá.

Vi-o contando mentiras e piadas.

Vi-o sofrer de verdade pela carta que não veio.

Para mim, nossa porção maior de vitória eu a conheci na confiança no homem brasileiro, que outro não há de melhor, mais inteligente, mais rústico, mais sensível, mais humano, mais gente.

Gente de todas as terras, gente de todos os sangues, condições, matizes e dimensões.

Gente diversificada, aberta e colorida: altiva, musical, humana e viva. Gente transparente transpassada de uma nova luz.

Sangues misturados, sangues renovados, sangues ardentes, sangue que acende a substãncia de um homem melhor sobre a terra, um homem que estende a mão ao outro - seu irmão.

O anseio, o improvido, o repente. O brilho, a chama. O bom, o alegre, o simples.

A mão que faz, que serve, que cuida, e que perdoa. O soldado brasileiro."

30 anos depois da volta.

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