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terça-feira, 5 de março de 2013

A DECISÃO DE HITLER DE DEFENDER A ITÁLIA

A partir de hoje colocarei algumas partes da dissertação de mestrado em operações militares, a qual concluí em 2005.

Começarei por:



A Decisão de Hitler sobre a defesa da Itália (1943-1944)




Após a deposição de Mussolini pelos próprios italianos, conhecidos como partigiani 5, uma força alemã, comandada por Otto Skorzeni, resgatou-o, levando-o para o norte da Itália, onde foi criada a República de Saló, e o resto da Itália ficou em poder do Marechal Pietro Badoglio, este contra o regime fascista.
De acordo com Mavrogordato (2004, p. 289), a decisão de Hitler de “não entregar o Sul da Itália, depois da invasão do território continental pelos anglo-americanos, em setembro de 1943, provocou algumas das batalhas mais sangrentas da segunda guerra, sendo elas: Rio Rápido, Monte Cassino e Anzio”. Essas batalhas decorreram da decisão de retirar suas forças para o Norte dos Apeninos, defendendo somente o norte da Itália.
Hitler decidiu retirar as forças para o norte depois que o governo do Marechal Pietro Badoglio decidiu pela defecção em relação ao Eixo, e quando os aliados já haviam estabelecido um baluarte em Nápoles, ao sul da Itália.
Não constituiu surpresa para Hitler e para o Oberkommando der Wehrmacht 6 (OKW) o armistício entre a Itália e os aliados, anunciado no dia 8 de setembro de 1943, na véspera do desembarque em Salerno. Desde maio daquele ano, os alemães desconfiavam das intenções italianas, e já tinham sido elaborados os planos para enfrentar tal acontecimento.
O pré-requisito básico de um plano defensivo estratégico é a existência de uma poderosa reserva, porém esta já não existia mais, pois as perdas alemãs em Stalingrado, durante o inverno de 1942 - 43, e na Tunísia, na primavera de 1943, foram muito grandes. Só teria sido possível organizar uma reserva se fosse reduzida a extensão da frente. Para isso, teriam de ser realizados movimentos retrógrados, o que Hitler se negava a fazer. Um TO só poderia ter sido reforçado a custa de um outro, mas Hitler se negava a perder qualquer parte de um território já conquistado.
Diante da perspectiva de perder o seu aliado mais forte, Hitler examinou diversas alternativas estratégicas. A Alemanha poderia passar à defensiva na Itália e na Grécia (esta basicamente por tropas italianas). A Alemanha poderia também entregar toda a Itália aos aliados, evitando, assim, o engajamento de mais tropas em um lugar que só poderia ser considerado um TO secundário. Ou ainda, a Alemanha poderia “defender a Itália em uma linha geográfica que evitasse a perda do Vale do Pó, com seus ricos recursos agrícolas e industriais” (MAVROGORDATO, 2004, p. 293). Em última instância esta foi a política adotada, sendo a mais famosa das linhas defensivas a Gótica, calcada nos Montes Apeninos.


5 “São os guerreiros libertários italianos que lutam nas montanhas dos Apeninos contra os nazistas. Fazendo incursões súbitas contra postos nazistas, cortando de vez em quando suas linhas de comunicações [...]” (BRAGA, 1996, p. 37).
6 Alto-Comando do Exército Alemão.

REFERÊNCIAS:


BRAGA, Rubem. Crônicas da Guerra na Itália. Rio de Janeiro: Record, 1996.

MAVROGORDATO, Ralph S. In: As Grandes Decisões Estratégicas: II Guerra Mundial/ elaborado pela Diretoria de História Militar do Departamento do Exército dos EUA; tradução de Álvaro Galvão. – 2ª Ed. – Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 2004.

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