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quarta-feira, 20 de junho de 2012

SITUAÇÃO MILITAR DO PAÍS PRÉ-FEB E ATUAL

Relendo o livro Depoimento de Oficiais da Reserva sobre a FEB (1949), nota-se que alguns problemas anteriores à criação da FEB, e que foram corretamente identificados no pós-guerra, são recorrentes. 
Vamos utilizar algumas passagens do livro para exemplificar nosso intento. Este blog não tem a pretensão de abordar tudo acerca do assunto, longe disso, mas faz-se necessário traçar alguns paralelos entre a situação das Forças Armadas brasileiras, particularmente a do Exército, no período da década de 1940 e a atual. 
O término da Primeira Guerra Mundial, aquela que ficou conhecida como a guerra para acabar todas as outras, foi, na verdade, o estopim para o início da Segunda, menos de duas décadas depois.  
As tentativas de se ter um mundo utópico, livre de armamentos, onde os países viveriam em paz, e o homem trabalhando em um mundo inspirado nas quatro liberdades fundamentais, fracassaram. E essa situação perdura atualmente, mesmo sendo muito difícil a ocorrência uma guerra total, como aquelas de 1918 e 1945. 
Há possibilidades reais de que o solo brasileiro venha a ser atacado um dia, mesmo o Brasil sendo um país pacífico por natureza. Por que? Porque a situação atual do mundo não reflete mais antagonismos de ideais políticos ou ufanistas, mas econômicos e até de sobrevivência da própria humanidade, tais como o caso da água potável e do petróleo do pré-sal. Por acaso, o Brasil possui amplas reservas de ambos.  
Situações como a da guerra das Malvinas (1982) mostram que os países pendem para o lado que convém mais aos seus interesses. Naquele evento, os Estados Unidos da América apoiaram militarmente o Reino Unido, contrariando a mais tradicional coluna de sustentação da política externa americana, a Doutrina Monroe. 
Aquela podia ser sintetizada pela máxima: “A América para os americanos”, e ainda afirmava que o continente americano não poderia ser susceptível à colonização por nenhuma potência européia. Foi o marco inicial do pressuposto sobredito.   
O cenário atual é diferente daquele da década de 1940, porém, mesmo com os aprendizados de outrora, é necessário dizer que a preparação militar do país é insuficiente para a autodefesa, como fora antes de 1944. Vejam bem, não estamos nem falando em forças de ataque, apenas nas de defesa das fronteiras. Voltando à Primeira Grande Guerra, há de se lembrar que os grandes vencedores foram os Estados Unidos, o Reino Unido e a França. Pois bem, a partir do término daquele evento, o Exército Brasileiro, acertadamente, contratou a Missão Militar Francesa, de forma a atualizar o ensino e o preparo da Força Terrestre.  
Como é sabido, o sistema militar francês tornou-se obsoleto por ocasião da Segunda Guerra, haja vista que a Alemanha demorou cerca de apenas 3 semanas para conquistar todo o território do país vizinho. 
Foi naquele contexto de preparo desatualizado que foi organizada a Força Expedicionária Brasileira. Os pormenores dessa organização serão assunto de uma outra matéria. Mas há de se comentar que a preparação e a reorganização da tropa ficara, novamente, nas mãos de estrangeiros. Daquela vez, foram os americanos. 
Um dos dilemas sobre o preparo do Exército para as ameaças existentes, tanto naquela ocasião quanto agora, é o de se manter ou não serviço militar obrigatório. Na década de 1940, a estadia de um homem nos quartéis era dispendiosa e inútil, pois a instrução era deficiente, como já citado, e ainda havia a completa falta de padronização de armamentos e existência de munições para treinamentos. Já se cogitava, a partir de 1949, que poderia ser trocado o serviço militar obrigatório por um exército profissional. Este sim, estaria preparado e apto a defender os interesses do País, a despeito do efetivo reduzido.  
A transformação supra traria soluções para o Exército a curto/médio prazo, mas traria problemas a longo prazo, em caso de guerra. Atualmente, mais de 100000 brasileiros ingressam no Exército todos os anos. Essa quantidade de homens formam a massa da reserva, no caso de uma necessidade futura, como o caso de uma guerra extensa. O término do serviço militar obrigatório reduziria drasticamente a referida reserva.  
Por outro lado, mantendo-se os investimentos nas Forças Armadas, o efetivo menor permitiria a profissionalização. Haveria maior quantidade de munição por homem, reaparelhamento, rearmamento, etc. Assim, mesmo com efetivos reduzidos, haveria melhores condições de se defender os interesses do País. O Exército Brasileiro possui, atualmente, doutrina própria, mas ainda fica a mercê da tecnologia importada.  
Para suplantar deficiências das Forças Armadas em geral, faz-se necessário, por exemplo, completar o projeto do submarino nuclear, o projeto do caça FX2, entre tantos outros. 
Há a necessidade de se reorganizar a indústria bélica brasileira. A ENGESA faliu ainda na década de 1990. Quanto a isso, houve um certo progresso, pelo menos quanto ao planejamento da defesa brasileira. A Estratégia Nacional de Defesa traçou metas no intuito de, a médio e longo prazos, suprir as necessidades descritas acima. Resta saber se estas serão realmente realizadas. 
Como conclusão, infere-se que quando as exigências políticas impuserem uma resposta armada do Brasil, provavelmente as Forças Armadas tardarão a responder, como ocorrido na Guerra do Paraguai e na Segunda Grande Guerra. Resta saber se haverá tempo hábil para isso.... a sociedade brasileira deve ter ciência de sua segurança nacional. 
Ainda, cabe salientar que o homem brasileiro sempre superou-se em todas as situações difíceis. Seja em Montese ou nas dezembradas, o soldado brasileiro cumpriu com o seu dever, escrevendo páginas no grande livro da história do Brasil. Cabe ao país, atualmente, dar as melhores condições para que ele cumpra suas novas missões. A história se repete. Cabe relembrar o que os Oficiais da reserva da FEB levantaram, ainda em 1949.

Um comentário:

  1. O imediatismo político sempre teve um contraponto naquela elite pensante que, estrategicamente, propôs-se a pensar as questões de defesa no Brasil. Não há uma solução simples para o problema da profissionalização - se é que se pode entender que profissionalização é acabar com o serviço obrigatório. O que é mais profissional para a defesa da Caatinga? Um soldado conscrito que nasceu e cresceu naquele ambiente, ou um soldado do Centro-Oeste engajado, que tem menos familiaridade com aquelas características? Há que se pensar como solucionar esse problema para os próximos anos.

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