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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Jeep Ford 1942: o modelo que foi do Exército Brasileiro na 2ª Guerra

Esta matéria foi enviada pelo nosso amigo Gustavo Lima, sendo também publicada no fórum www.hmmb.com.br

O carro deveria ser leve e resistente, pois eram transportados por cargueiro até território inimigo e desembarcados

Texto: Antigo Motors/Fernanda Lopes
Foto: Antigo Motors/Jocelino Leão
http://www.webmotors.com.br



Novembro de 1944. Brasileiros acostumados ao sol e samba, lutam para sobreviver em meio à neve e gritos de horror na Itália fascista. Neste mês tentam, pela primeira vez, tomar a região de Monte Castello, que junto às demais tropas aliadas venceriam meses depois, em Fevereiro de 1945. “A Força Expedicionária Brasileira – FEB contou com Jeeps, que serviram como cães fiéis, ultrapassando as mais diversas condições sobre quatro rodas. O Jeep Ford GPW 1942 da matéria pertenceu ao Exército Brasileiro durante a 2ª Guerra”, conta a pesquisadora do Portal Antigo Motors.



“Comprei o veículo de um arquiteto em 1988 e este o adquiriu em um leilão do Exército, em 1952. Ele serviu na instrução de soldados no curso de material bélico na Academia Militar de Realengo, hoje Agulhas Negras. Está cerca de 90% original”, conta orgulhoso o proprietário deste histórico exemplar. A criação do modelo para finalidades gerais, “general purpose” em inglês, cujas letras “G” e “P” soam “jeep” dando origem ao nome, surgiu de uma solicitação do Exército Norte Americano para a criação de um veículo prático de guerra.



O carro deveria ser leve e resistente, pois eram transportados por cargueiro até território inimigo e desembarcados. Deveriam ser de fácil manutenção, ter tração 4x4, capacidade para 3 passageiros e uma metralhadora, transporte de carga de 250kg, daí decorrendo sua designação oficial de “Caminhão Utilitário para finalidades gerais, ¼ ton., 4x4”, velocidade máxima em torno dos 80km/h e mínima de 5km/h, o equivalente ao caminhar de um soldado, entre outros predicados. O projeto original é da American Bantam Car Company, aperfeiçoado pela Willys Overland, que fizeram parceria na fabricação. Em 1941 a pressão era tamanha, que a participação da Ford como segunda montadora se tornou inevitável para atender o mercado, seguindo padrão Willys.



Já em janeiro de 1942, a Ford começou a produção dos GPWs (G –governo, P - distância entre eixos de 80 polegadas e W- Willys). “Embora houvesse um padrão a seguir, os veículos feitos pela Ford e Willys tinham suas diferenças, como o chassi de perfil retangular (em U invertido) e para-choque dianteiro com três furos no caso Ford”, nota pesquisadora do Portal Antigo Motors. A produção do modelo foi até Dezembro de 1945, já com o fim da guerra.



Na ocasião da compra, o arquiteto vendeu sob uma condição: que assumisse o compromisso de restaurá-lo sem modificar suas características originais. Cumpriu a promessa e o levou para mostrar. O antigo dono ficou emocionado.Hoje é figura constante em desfiles militares oficiais. Fascinado por história, o condutor deste jeep militar conta algumas aventuras que viveu, “tudo aconteceu por causa deste carro”.



Nesse clima de preservação, o veículo exibe pintura inspirada no Primeiro Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira durante a segunda guerra mundial. Desmontou o carro todo em Novembro de 1988, ficando pronto para homenagem à FAB (Força Aérea Brasileira), em Abril de 1989. Transportou expedicionários, patronos e muita gente importante. Mas o mais especial foi a participação de seu proprietário em homenagens aos expedicionários na Itália e de um vídeo documentário, em fase de finalização, sobre a atuação brasileira na guerra.



Os veículos tiveram papel importante na participação brasileira na 2ª Guerra, diz o motorista, narrando os perrengues sofridos pelos heróis. “Passaram fome, frio, destruição, famílias arrasadas, miséria e violência... Até hoje os italianos valorizam a conquista do modo de vida livre. Só quem passou por isso sabe o peso que tem”, afirma. E os jeeps seguiram levando munição, armamento, feridos, cadáveres, suprimentos e outros ítens. “Muita gente não tem consciência dessa importância”, lamenta.



Em abril de 1945, as tropas aliadas cercaram os inimigos e finalizavam a libertação da Itália. Em abril de 2010 um evento comemorou o feito e refez o trajeto percorrido pelos americanos, todos devidamente caracterizados, para encenar na linda cidade de Verona, aquela de Romeu e Julieta, o episódio histórico. Seu atual proprietário esteve lá. Emocionante.



Enquanto isso, o Jeep Ford GWP de 1942 segue firme e forte. “É um carro de serviço, jipes não eram tratados a pão de ló. Faço trilha, piso no banco, é um carro para usar”, diverte-se. E o prazer de dirigir? “Na volta, vou tirando o pé do acelerador para demorar mais para chegar em casa”, revela. Com tanta história em seu DNA de lata, nós do Portal Antigo Motors faríamos o mesmo.

Agradecimentos ao Jeep Clube do Brasil (www.jeepclubedobrasil.com.br), Associação Brasileira de Preservadores de Veículos Militares - ABPVM, Marco Cesar Spinosa e Julio Florez.

Para fotos outras exclusivas, acesse o Portal Antigo Motors.

As opiniões expressas nesta matéria são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.

Para complementar este tópico, vamos mostrar mais algumas informações e fotos....

Segundo nosso amigo Gustavo Lima: Jipe é a palavra em Português para o nome Jeep, decorrente da pronúncia em Inglês de GP, “General Purpose”. Jipe é um veículo militar de uso geral desenvolvido pela indústria americana no final da década de 30, resultado do esforço de guerra. O Jipe foi criado com o objetivo principal de substituir a cavalaria e as motocicletas nas ações militares que exigiam rapidez e flexibilidade. Para o General George Marshall, o Jipe foi a maior contribuição dos Estados Unidos para a guerra moderna. Considerando outras máquinas que quebraram paradigmas, como os navios de desembarque, por exemplo, pode-se sentir algum exagero no julgamento do General Marshall, mas este pequeno veículo constituiu-se em contribuição importante para o avanço aliado.

Depois da fase experimental, o Exército Americano encomendou, em julho de 1941, 16.000 unidades à Willys-Overland. Em seguida, outros fabricantes americanos também iniciaram sua produção, mas mantendo as características básicas do modelo. Suas principais vantagens eram a velocidade, que podia chegar a 96 km/hora, a leveza combinada com resistência, que permitiam boa dirigibilidade em terrenos acidentados, aliadas à sua tração nas quatro rodas com seis marchas para frente e duas para trás. Além disso, podia ser adaptado com metralhadoras, canhões, ou funcionando na sua característica básica que era transporte de pessoal.

Também foi muito utilizado como rebocador de canhões e equipamentos. Era pequeno o suficiente para ser transportado em barcaças e aviões, sendo possível atirá-lo de para-quedas. Constituiu-se em um verdadeiro “pau para toda a obra”.

Até o final da Segunda Guerra Mundial foram produzidos 653.000 Jipes.

Agora um outro artigo:

O equipamento era essencialmente de procedência norte-americana, e a quase totalidade foi recebida na Itália onde lutou como parte integrante do 5º Exército Norte-Americano.
Dentre os veículos que operou cabe destacar as 655 viaturas 1/4 de tonelada, mais conhecidas como Jipe (Jeep), sendo que 09 deles operaram como ambulância transportando feridos até os hospitais de campanha com muito boa eficiência, no Batalhão de Saúde, junto a outros tipos de veículos. Nas demais unidades da FEB, junto ao destacamento de saúde, existiram jipes ambulâncias, na maioria das vezes apenas um por unidade.
Barrie Pitt, autor de diversos livros sobre assuntos militares assim o definiu:
..."Ele possuía também qualidades práticas que nenhum outro veículo apresentava. Podia carregar seis homens, percorrer a 80km/h enormes distâncias e desembarcar seus passageiros em um segundo, ao parar ( a menos que a capota estivesse levantada, é claro, quando ele então deixava de ser um jipe). Saltava-se simplesmente por cima. Se viesse a atolar em areia fofa ou num pântano, quatro homens podiam tira-lo apenas rolando-o, depois de retirar o pára-brisas e o volante (embora se perdesse um pouco de gasolina no processo). Outra vantagem era o capô, que por ser plano permitia a leitura de mapas, fazer refeições e a barba, ou prender os confortos extras que a gente realmente não tinha o direito de levar. Mais tarde, verificamos que também podíamos transportar feridos deitados nele.
Em ação, o desempenho do jipe era tão bom quanto seus usuários esperavam que fosse, e talvez melhor do que seus projetistas sonhavam"...
Muitos veículos militares podiam ser convertidos em transportes de pacientes com ligeira modificação ou não da estrutura, mas a viatura Jipe de 1/4 tonelada e seu reboque faziam parte do equipamento padronizado das seções do batalhão de saúde e de muitas outras unidades do Exército norte-americano e seus aliados. Quase sempre estavam ao alcance e eram adaptados facilmente para transportar feridos ou doentes.
É comum encontrarmos fotos de diversos Jipe da FEB em sua versão ambulância em plena atividade. O próprio exército norte-americano elaborou manuais de campanha onde na parte de Saúde é possível observarmos o transporte de doentes e feridos, manual este conhecido pelo código C-8-35 também adotado no Exército Brasileiro nos pós-guerra.
Diversas montagens foram elaboradas para a versão do Jipe Ambulância, como a de poder levar dois pacientes sem alterar o veículo original, colocando uma padiola atravessada na parte detrás da viatura com os punhos assentados nas laterais do veículo, e a segunda ao longo do lado direito do veículo com seus punhos apoiados na primeira padiola e no pára-brisa deitado

DADOS TÉCNICOS

País: USA
Fabricante: Willys Overland (MB) e Ford Motors (GPW)
Modelo: Transporte não especializado l/4 t 4x4
Nome vulgar: Jeep
Guarnição: 4 homens
Motor: Willys 442 “Go Devil” de 4 Cilindros a gasolina, 60hp
Peso: 110kg
Carga útil: 362Kg qualquer terreno, 544Kg em estrada
Altura de engate: 533mm
Sistema elétrico: 6 volts
Capacidades: reservatório de combustível: 56 litros (gasolina)
motor: 3,78 litros
caixa de mudança: 0,71 litros
caixa de transmissão múltipla: 1,42 litros
diferencial dianteiro/traseiro: 1,18litros
Desempenho: rampa máxima: 58%
raio de curva (direita/esquerda) 5486/5638mm
vau: 635mm
consumo médio de combustível: 8km/l
raio de ação médio: 458km
velocidade máxima: 88km/h.


* BASTOS, E.C.S. Jeep Ambulância na FEB. Itália 1944 - 1945. Disponível em: http://www.ecsbdefesa.com.br/defesa/arq/art3.htm . Acesso em: 26 Fev 2010.

Para coroar este tópico, mostramos o Tenete Ênio, pai do nosso amigo Gustavo Lima, em frente ao seu inseparável jipe.



Tenente Ênio, junto com Oficiais da CPP III do 11 RI.



O Tenente Ênio receberá uma matéria exclusiva neste sítio, em breve.

Obrigado ao Irmão Gustavo pela matéria.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

PROJETO MEMÓRIA VIVA - FEB



É com grande entusiasmo que divulgamos a iniciativa dos nossos amigos: Dr. César Campiani Maximiano, Ten Cel EB Durval Lourenço Pereira Jr. e Prof. Marcus Carmo, em diversificar a memória da FEB no Brasil.

Transcrevi parte da justificativa deste projeto:

"Em pleno Séc XXI, quando a revolução digital popularizou a gravação de vídeos por meio de câmeras de baixo custo e até por telefones celulares, é anacrônico que a narrativa dos protagonistas de um dos eventos mais significativos para história do Brasil — a participação da Força Expedicionária Brasileira na II Guerra Mundial — esteja restrita à memória escrita, tal qual os eventos ocorridos nos primórdios da civilização.

Da mesma forma, numa realidade onde o computador pessoal, conectado à internet, constitui o principal instrumento de pesquisa escolar, é lamentável a ausência de uma fonte de referência oficial sobre a história da FEB. Atualmente, a trajetória da FEB é encontrada de forma fragmentada em diversos sites espalhados pela rede.

Com progressivo fechamento das Associações Nacionais dos Veteranos da FEB (ANVFEB), boa parte do acervo material que essas associações mantinham vem sendo dilapidado, tendo como destino coleções particulares. Esvai-se, dessa forma, um precioso e insubstituível patrimônio histórico. Por isso, a digitalização de material iconográfico (fotografias, mapas, imagens e desenhos) e documentos (livros, manuscritos, panfletos, cartazes e cartas) proposta pelo projeto, visa perenizar e universalizar o acesso a esse material."

É interessante notar que uma das justificativas deste projeto se coaduna com a da existência deste blog. Desde já informo que ajudaremos na execução deste, aqui no Rio de Janeiro.

Para saber mais, acesse: http://olapaazul.com/

Obs: Esta iniciativa possui cunho estritamente particular, não estando ligada a nenhuma instituição pública ou privada.

sábado, 12 de novembro de 2011

MANUAL DE MEDALHAS BRASILEIRAS DA II GUERRA MUNDIAL

Apresentamos um manual interessante para quem quer ter acesso às Leis, Decretos e Regulamentos que regem a entrega das medalhas brasileiras atinentes à II Guerra Mundial.

Editado pelo Museu Histórco Nacional, em 1956, esse manual foi o primeiro a trazer os detalhes jurídicos que regulavam estas condecorações. Posteriormente, na década de 60, foi lançado outro manual com as mesmas informações, mas esse também continha as medalhas do Exército em tempo de paz.

Além das medalhas da FEB, neste manual aparecem, também, as da Marinha de Guerra e as raríssimas medalhas da FAB.





HOMENAGEM AOS HERÓIS SOCORRENSES NO LAPA AZUL

Mais um excelente posto do nosso amigo Durval Junior, do Lapa Azul.

No próximo dia 19 de novembro, está previsto descerramento de uma placa em homenagem aos pracinhas da FEB na cidade de Socorro-SP. A iniciativa é do pesquisador Derek Destito Vertino, licenciado em História e pós-graduando em História Militar.

Para maiores informações, visite: http://olapaazul.com/