COMPRO MATERIAL DA FEB: JULIOZARY1997@GMAIL.COM

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Cap Art Joaquim Antônio da Fontoura Rodrigues

Ao ser declarada a guerra, em 22 de agosto de 1942, o então 1º Tenente Joaquim Antônio da Fontoura Rodrigues (Fontoura) servia no II Batalhão do 4º Regimento de Artilharia Montada, situado em Itu, São Paulo, local onde desempenhava a função de Comandante da 3ª Bateria. O Regimento foi transferido de Itu para a cidade de Maceió - Alagoas, a 13 de setembro do mesmo ano. Essa transferência foi feita por trem até a cidade do Rio de Janeiro, e depois por navio (vapor Almirante Alexandrino). Em Maceió, desempenhou diversas funções, entre as quais Comandante da 6º Bateria.

Em 26 de novembro de 1943, por necessidade do serviço, foi transferido para o 1º Regimento de Artilharia Montada, sediado na cidade do Rio de Janeiro. Ao chegar no Rio de Janeiro, foi convidado a integrar o I /1º Regimento de Obuses Auto-Rebocados, tendo por finalidade seguir juntamente com a FEB para o Teatro de Operações da Itália. Embarcou para “além-mar” no navio transporte de tropas A.P. 116, a 22 de setembro de 1944, tendo atingido o objetivo em 12 de outubro, na cidade de Pisa.

Chegando à Itália, o já Capitão Fontoura - (promovido em 25 Dez 1944) - recebeu a missão de ser Oficial de Ligação com a Infantaria (1º Batalhão do 11º RI), sendo responsável pela condução dos tiros de artilharia em proveito da infantaria, atuando como chefe natural dos Observadores Avançados.

As primeiras operações de guerra realizadas pelo Cap Fontoura foram em 17 de novembro de 1944, realizando reconhecimentos da zona de posições do Grupo para a entrada em operações de guerra no eixo Pistóia-Bologna.

Seu Grupo teve, de 23 a 27 de novembro, a missão de apoio ao conjunto na frente da Task-Force 45, tomando parte das operações do M. Castello, Província de Bologna, onde cumpriu um total de 15 missões de tiro.

A partir de 1º de janeiro, até 19 de fevereiro, o Grupo permaneceu em apoio ao quarteirão oeste (área do 3º Batalhão do 11º RI), e subsetor oeste (área do 2º Batalhão do 11º RI). A partir de 19 de fevereiro, o Grupo passou a cumprir missão de reforço à Artilharia Divisionária da 10ª Divisão de Montanha americana, nas operações de ataque ao Monte Belvedere, que obtiveram pleno êxito. Na mesma ocasião, cumpriu missão de apoio direto ao subsetor ocupado pelo 1º RI (Regimento Sampaio). Em 21 de fevereiro estava em apoio direto ao I/1º RI no ataque ao M. Castello, operação esta coberta de êxito, participando ainda das tomadas de La Serra e Bela Vista, nos dias subseqüentes.

Um fato importante a ser ressaltado no histórico do então Cap Fontoura foi o fatídico dia em que parte do pessoal do 11º RI abandonou suas posições, abaixando o moral da tropa de todo o Regimento por um bom tempo. Conforme BI nº 10, de 11 de janeiro de 1945, a conduta do Cap Fontoura, Oficial de Ligação junto ao 1º Batalhão do 11º RI..........”por ocasião do ataque noturno desfechado pelo inimigo, no dia 3 de dezembro de 1944, às posições desse Batalhão, na frente Km 13 da estrada Gaggio Montano – Abetaia – C. Viteline (esporão sul do Morro do Castello), merece ser ressaltada e constar de seus assentamentos. O ataque inimigo realizou-se em quatro ondas sucessivas, entre 21,30 e 4,00 horas do dia imediato. Em todas mantiveram o Grupo perfeitamente informado e esclarecido, permitindo sua ação eficaz, oportuna e no local conveniente, não obstante o intenso bombardeio por morteiros do PC e seus postos de observação. Revelaram, deste modo, atividade e capacidade no exercício das respectivas funções, mesmo sob fogo do inimigo. Demonstraram, por outro lado, perfeita noção do cumprimento de seus deveres, mantendo-se em seus postos, no exercício das suas funções até o último instante só se retirando, quando isolados e abandonados pelas Unidades em proveito das quais operavam.......Releva ainda, ressaltar porque merecida, a conduta do Cap Fontoura, chefe natural dos observadores avançados de seu Batalhão, que indo além dos deveres normais do Oficial de Ligação, mas perfeitamente enquadrado no espírito de solidariedade que une infantes e artilheiros do Brasil, prestou assistência e colaboração decidida ao Comandante do Batalhão na reorganização de sua Unidade, e no seu impulsionamento para frente, como relata o próprio comandante do Batalhão, Maj JACY, na sua Parte de Combate publicada no BI 282, de 20 Dez 1944”. Por este feito o Cap FONTOURA foi merecedor da Cruz de Combate de 2ª Classe, vindo a recebê-la posteriormente.

Recebeu ainda elogios referentes aos ataques à Montese, Montello e Montebuffone, iniciados a 14 de abril de 1945, e levadas à efeito pelo 1º Btl do 11º RI. Por fim, em suas alterações aparece seu desligamento do V Exército e do IV Corpo, a 02 de julho de 1945, e em 04 de julho sua volta ao Brasil via aérea.

Após seu regresso, permaneceu inicialmente no Rio de Janeiro, com sua esposa e seus 2 filhos.

Foi declarado Aspirante a Oficial da Artilharia, pela Escola Militar de Realengo, em 22 de novembro de 1937, chegando até o posto de Gen de Brigada, em 26 de julho 1972, tendo sido transferido para a reserva em 1º de abril de 1976.

Principais Comandos:
- Cel Cmt 1º GO 155 – 10/04/1964 a 17/05/1966
- Gen Bda Cmt 1ª DC – 15/09/1972 a 16/05/1973
- Gen Bda Cmt AD/2 – 01/06/1973 a 30/04/1974
- Gen Bda CMT AD/1- 14/05/1974 a 31/03/1976

Fez o Curso Superior de Guerra da ESG em 1971, como Coronel.
Especial agradecimento à família do General, que permitiu acesso aos documentos e a confecção deste breve artigo.


Foto 1: foto de estúdio tirada em Roma

Foto 2: alívio após o fim da guerra
Foto 3: um dos muitos deslocamentos de PC
Foto 4: com os companheiros na Defensiva de inverno, em dezembro de 1944, na neve
Foto 5: Diploma da Cruz de Combate de 2ª Classe referente à debandada do Btl do 11º RI
Foto 6: Pertences do então Cap Fontoura



terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

LIVRETO FEB - NOTÍCIA HISTÓRICA

Este livreto é um resumo histórico da participação da FEB no Teatro de Operações na Itália. Foi organizado pela Sec Esp Cmd da FEB. Sua capa foi uma gentileza do jornal "O GLOBO EXPEDICIONÁRIO", que tem como figura o desenho da Cobra Fumando, estilizado nada menos do que o já consagrado Walt Disney.


Esta notícia foi escrita para servir de subsídio histórico do 5º Exército. Posteriormente, ficou resolvida a sua distribuição aos nossos expedicionários. Foi redigida em prazo limitado e a luz de documentação ainda em coordenação (Alessandria - Itália). Ou seja, produzida e impressa ainda na Itália. Acabou se tornando a primeira fonte de informações impressa sobre a atuação da FEB.


Impresso pela Seção de Divulgação e Conhecimentos Gerais, do T.O. do Mediterrâneo (MTOUSA), não apresenta acentos da grafia portuguesa, pois os mesmos não existem na grafia em inglês.


Ficou disposto da seguinte forma:


Cap 1 - Organização e Treinamento
Cap 2 - Operações do Destacamento FEB
Cap 3 - Inverno e defensiva no Reno
Cap 4 - Monte Castelo
Cap 5 - Marano, Soprassasso e Castelnuovo
Cap 6 - Ofensiva da Primavera
Cap 7 - Rendição Final
Cap 8 - Estatística e Resultados



Apresenta o seguinte texto como último parágrafo: "Oficiais e Praças da FEB. Concorrestes brilhantemente para que a nossa Pátria fosse reservado um lugar de relevo entre as nações que velarão pela paz vindoura e futura reconstrução do mundo. E com orgulho, sem jactania, e confiança, sem exageros, retornemos aos nossos lares, aos nossos quartéis e postos de trabalho, para prosseguirmos na faina sagrada de fazer um Brasil forte e respeitado, num mundo livre e feliz".

sábado, 20 de fevereiro de 2010

CONGRESSO NACIONAL DE VETERANOS DE GUERRA 1953

No ano de 1953, na cidade de Curitiba, o estado do Paraná comemorou seu primeiro centenário (emancipação política). Houve a criação de uma comissão para cuidar especificamente dos festejos relativos à data, entre eles um torneio de futebol. O Governador do Paraná era Bento Munhoz da Rocha Neto naquele ano.

Juntamente com as comemorações deste centenário, a atuante Legião Paranaense do Expedicionário organizou o 1º Congresso Nacional dos Veteranos de Guerra do Brasil. Este evento contou com a participação de inúmeros ex-combatentes não só do Exército, mas da FAB e Marinha também. Deve ser citado que a Legião Paranaense criou, em 1946, a Casa do Expedicionário, um dos melhores Museus da FEB que temos no Brasil atualmente.

Para os participantes deste Congresso, foi confeccionado um diploma e outorgada uma medalha, que apesar de ter sido o evento em 1953, foi instituída apenas em 21/11/1955, através da Lei Estadual nº 2.503.

Acima temos o Diploma de participação e a medalha distribuídos entre os participantes.

Acima um poster de época alusivo aos eventos do Centenário do Paraná e do Congresso dos Veteranos.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

BOLETIM ESPECIAL DO EXÉRCITO - 1946

O Ministro da Guerra, através de sua Secretaria Geral, resolveu editar um Boletim Especial do Exército, a 02 de dezembro de 1946, para conhecimento do Exército, a fim de homenagear os Mosrtos da FEB.

"Como justa homenagem do Exército à inolvidável memória dos Oficiais e Praças que integraram a Força Expedicionária Brasileira, em guerra na Itália, e que foram sacrificados em defesa da Pátria, constam neste Boletim Especial os seus nomes, identidade e alusão ao panegírico conquistado pela sua ação no cumprimento do dever militar".

A FEB teve 457 militares mortos, sendo 444 praças e 13 Oficiais. Todos estão listados neste Boletim, em ordem hierárquica e por ordem alfabética.

Como exemplo citamos o do militar mais antigo morto na Itália:

"Antônio Alvares da Silva (Frei Orlando) Id. 1G - 29741 - Classe 1913. 11º Regimento de Infantaria. Embarcou para além-mar em 20 de setembro de 1944. Natural do Estado de Minas Gerais. Filho de Itagiba Alvaro da Silva e D. Jeovita Amelia da Morada, tendo como pessoa responsável o Diretor do Ginásio Santo Antônio, à Rua da Prata - São João d'el Rey - Minas Gerais. Faleceu em consequência de acidente de arma de fogo, quando prestava assistência religiosa às tropas em posição, no dia 20 de fevereiro de 1945, Docce, Itália e foi sepultado no Cemitério Militar Brasileiro de Pistóia, na Quadra A, fileira n. 9, sepultura n. 97, marca: lenho provisório. Foi agraciado com a Medalha de Campanha"




Este exemplar é de 1960, 2ª Edição.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

CORAÇÃO BRASIL

Apresentamos hoje o Distintivo Brasil, também conhecido como Coração Brasil. Este foi o primeiro distintivo usado pela FEB na Itália. Foi especificado no dia 14 de fevereiro de 1944, e tinha seu padrão descrito no Caderno de Encargos da Intendência.

Suas características eram:

- Escudo verde-oliva, escuro, com a palavra BRASIL, em letras brancas;

- Dimensões do Escudo: 6 cm de largura por 7 cm da altura;

- Dimensões das letras: 1,5 cm de altura, ou seja, 1/4 do tamanho do escudo.

Existiam algumas versões, mas as principais são as conhecidas como a xadrez (recebe esta denominação devido às letras serem em formato de tabuleiro, ou seja, quadriculadas), bem mais comum, e a de gabardine, feita para os Oficiais, a princípio. As dimensões descritas acima podem ter pequenas variações, e representam as dimensões do coração xadrez.



À esquerda podemos notar o modelo xadrez, e à direita o modelo em gabardine. A princípio cada febiano recebeu oito corações do modelo da esquerda, e não houve modelos desse distintivo sendo produzidos na Itália, ao contrário da Cobra Fumando. Apesar do modelo da esquerda ser mais comum, ele igualmente não é fácil de se achar por ai.


Acima é apresentado um dos dois modelos pré-FEB, mas usado também. Muito semelhante ao modelo em gabardine mostrado na foto anterior, porém sem a linha pontilhada na sua borda.

Há ainda mais dois modelos de coração, sendo que ele também é pré-FEB, mas igualmente foi usado pelos Febianos. Apresenta uma borda branca grossa. O outro modelo é bem mais raro, com tamanho bem maior que os comuns, visto no Museu da FEB em Campo Grande-MS. Pelo menos duas vezes maior que os modelos apresentados aqui.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

DISTINTIVO DA FEB E DO 5º EXÉRCITO

Estas peças são o resumo histórico da participação do Brasil na Campanha da Itália. A FEB foi incorporada ao 5º Exército americano, então passou a ter o direito de seus membros utilizarem o distintivo do mesmo, comandado pelo General Mark Wayne Clark. Seu distintivo era simbolizado pelo famoso A5 (5th ARMY).

Para identificar os militares brasileiros, foi criado em 1943 o distintivo Brasil, também conhecido como coração da FEB. São basicamente 4 modelos conhecidos, com pequenas variações entre eles, sendo que dois deles são pré-FEB. Foram usados até o final da guerra.


Porém, como os brasileiros viam que seus camaradas aliados possuiam emblemas, então foi criada, em 1944, o distintivo a "Cobra Fumando". Este distintivo era bem mais vistoso, pois era colorido. Em fotos de época ela começou a figurar apenas em 1945 entre a tropa, próximo à tomada de Monte Castelo (21 Fev 1945). Inúmeras variações deste distintivo existem, inclusive com fabricação na Itália e no Brasil, bem diferentes entre si. Foi utilizado até o final da guerra, quando apareceu uma variação feita em metal, conhecida como latinha.





Acima uma dupla fabricada no Brasil. Não se tem dados exatos de onde e quando exatamente foram fabricadas aqui, durante 1944/1945.

Agora uma dupla italiana, feita provavelmente em Florença. Existe uma variação enorme nas cobrinhas italianas, pois estas eram feitas à mão por costureiras locais. Florença era um dos destinos dos febianos quando em licença.






terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

FILME EM INGLÊS SOBRE A FEB

Aqui você poderá assistir a um filmete (2 minutos) feito pela BBC, sobre a participação da FEB na guerra, em inglês.

Here you will watch a tiny movie (2 minutes) made by BBC, about the Brazilian Expeditionary Force in Italy, in english.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

MEDALHA DE SANGUE DO BRASIL


O Decreto-lei nº 7.709, de 05 de julho de 1945, cria no Exército a Medalha de Sangue do Brasil. Foi criada para agraciar os feridos de guerra. Os Oficiais, Praças, civis ou assemelhados destacados para o Teatro de Operações fazem jus a essa medalha, desde que hajam recebido ferimento em consequéência de ação objetiva do inimigo.

Este conjunto pertenceu a um soldado ferido em ação em 05 de março de 1945, integrante dos quadros do 6º Regimento de Infantaria - Caçapava - SP. A medalha apresentada está com seu estojo original.
Ainda não há a produção de medalhas de reposição, apesar de existir um modelo feito pela Randall nos anos 60, um tanto diferente.

MEDALHA DE CAMPANHA DA FEB


Ainda no mesmo Decreto-Lei, criou-se a Medalha de Campanha da FEB, conferida aos militares da ativa, da reserva e assemelhados que participaram de operações de guerra, sem nota desabonadora.


Esse diploma pertenceu a um Soldado do 6º Regimento de Infantaria, Caçapava - SP.
Essa medalha foi a que teve maior distribuição entre os Febianos, todos a receberam, desde o soldado mais moderno até o Comandante, o Marechal Mascarenhas de Moraes.
Essa medalha apresenta apenas uma versão, não possuindo variantes originais. Há a produção moderna de medalhas de reposição.
MEDALHA DE GUERRA



O mesmo Decreto-Lei instituiu a Medalha de Guerra do Brasil, destinada a premiar os Oficiais da Ativa, Reserva e Reformados, e os civis que tenham prestado serviços relevantes , de qualquer natureza, referentes ao esforço de guerra, preparo de tropa ou desempenho missões especiais confiadas pelo Governo dentro e fora do país.

Posteriormente essa medalha foi também concedida aos Sargentos da FEB, militares de Nações Aliadas e também militares de outras Forças, que não o Exército.
Este exemplar pertenceu a um 2º Sargento da FEB, e a data da outorgação é a da Vitória na Europa, 08 de maio, dois anos após seu término, em 1947.
Existem duas versões tidas como originais de época desta medalha, e atualmente há a produção da medalha de reposição.
Inicialmente falarei sobre as medalhas que eram exclusivas da FEB.



CRUZ DE COMBATE DE 2ª CLASSE



Conforme Decreto-Lei nº 6.795 , de 17 de Agosto de 1944, o Presidente da República cria, no Exército, usando as atribuições que o Art. 180 da Constituição lhe conferem....
Parágrafo 3º - A Cruz de Combate é destinada aos militares que se distinguirem em ação, sendo: a de 2ª classe aos participantes dos feitos excepcionais praticados em conjunto por vários militares.



Este exemplar de diploma pertenceu a um soldado do 6º Regimento de Infantaria (Caçapava - SP), morto em uma ação de combate.
Há um estudo em prosseguimento onde surgiram diversas variantes tidas como originais de época, tanto das medalhas de 1ª quanto as de 2ª classe. Há a produção atual de medalhas de reposição.