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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

BARBUDOS, SUJOS E FATIGADOS



Sinopse do nosso amigo Douglas S. Aguiar Jr

"Eu me sinto relativamente confortável em dar meu pitaco, pois já devorei boa parte do livro. Comecei na livraria, ao folheá-lo e me dar conta de já ter lido quase dez páginas – e isso abrindo o livro aleatoriamente em qualquer página. Logo, foi impossível não o comprar. Levei-o para casa no sábado e, sem exagero, já li mais de cem páginas nos dois dias que tive mais tempo para me dedicar a ele. Colocado de modo simples, é impossível colocá-lo de volta na mesa após iniciar a leitura.

Mas, não se iludam. Não se trata de um livro daqueles que se lê enquanto estamos fazendo hora no banheiro ou que gostamos de presentear o sogro, algo leviano como um “Almanaque da FEB - Curiosidades da Campanha na Itália” (argh!). Trata-se de uma obra séria, calcada em pesquisas em diversas fontes: outros livros, teses, relatórios oficiais, materiais de época e, principalmente, inúmeras entrevistas conduzidas com veteranos ao longo de quase 20 anos.

O resultado é um texto coeso, objetivo, claro e muito aprazível de se ler. A meu ver, o autor chegou a um estilo muito próximo ao que Anthony Beevor desenvolveu nas suas obras sobre as batalhas de Stalingrado e Berlim ou as obras de Stephen Ambrose – comparações que dizem muito sobre a narrativa. Além disso, para nossa felicidade (e dos pracinhas que ele retrata) temos entre nós alguém que conseguiu tirar a FEB dos extremos ideológicos do ufanismo reacionário constrangedor e da execração esquerdopata para que tivesse sua história contada pelos seus protagonistas, ainda que indiretamente. Um desafio que ele assume de antemão, nas primeiras páginas, e que cumpre integralmente.

Nesse ponto, eu chamo a atenção de todos para a parte introdutória do livro, onde o autor, como é praxe, delimita a proposta da obra. Ali, nosso colega César vai além, aproveitando para desmistificar e desconstruir alguns mitos que se perpetuam no imaginário coletivo sobre nossa participação na II Guerra Mundial, nossos aliados e inimigos. Adota a postura acadêmica que julgo arrojada, contemporânea e honesta, focada na investigação histórica e não na exploração ideológica da FEB (desculpem reiterar esse ponto, mas é algo realmente digno de ser destacado após seis décadas de manipulação).

O autor dá, ainda, a devida atenção ao contexto da campanha italiana dentro do conflito, aos nossos aliados e aos nossos inimigos (em uma concisa, mas brilhante, análise do exército alemão na II Guerra Mundial e, em especial, de seu estado em 1944-45). Analisa, ainda, o terreno, o clima e os equipamentos – tudo para que o leitor compreenda quem foram e o que viveram, de fato, aqueles 25.334 brasileiros que cruzaram o Atlântico para lutar contra “o alemão”.

Outro aspecto que torna-se um diferencial em relação a outras obras sobre o mesmo tema, com as quais muitos de nós aqui travaram contato, é o conhecimento do César sobre a organização das unidades militares, das táticas de combate, das armas e equipamentos então empregados. Pode parecer um artigo de luxo, um "apego de colecionador/entusiasta", mas esse conhecimento (principalmente das OM e do uso tático do armamento) confere à narrativa do autor e de seus entrevistado uma vivacidade e robustez ímpares, destacando-o sobremaneira em relação a obras de outros acadêmicos que não se preocuparam com estes “detalhes” (e que são a verdadeira “alma” de qualquer relato histórico militar).

O resultado é inspirador, tomando o leitor “de assalto”. Não é mais uma destas obras caça-níqueis que há sobre a II Guerra Mundial que repetem “mais do mesmo”; é o fruto de um trabalho realizado ao longo de mais de década e meia por alguém realmente comprometido a retratar aqueles homens barbudos, sujos e fatigados. Como resultado, posso dizer que é impossível não olhar para o infante febiano de modo diferente e mais reverencial (deixando de lado as vicissitudes do colecionismo, que tantas vezes nos cega) após a leitura deste livro.

Enfim, um livro essencial para que se consiga ter uma vaga idéia da experiência dos soldados de infantaria que lutaram na Itália 65 anos atrás, resultado de um trabalho honesto para com o leitor e para com a FEB."

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